A arte de lapidar


Enveloped between a pleated thought - Tran Nguyen


Não, ela não era perfeita. Sim, de fato, isso ninguém é. Mas no caso dela, ela era cheia de imperfeições. Dessas imperfeições que fazem uma pessoa ser mal falada. Porém, ele via nela um brilho especial. Algo que não via em outra mulher. Algo que só ele conseguia enxergar. E, por isso, acabou se envolvendo com ela. Passou por muito baixos. Mas, foi valorizando cada momento alto, que transmitia boas influências para ela. Por muitas vezes, a salvou das confusões em que ela se metia. E, assim, foi construindo uma vida juntos, vida essa que ela nunca imaginou ter. Então, o brilho foi intensificando. Mas isso não foi da noite para o dia. Foram anos, ele a lapidar aquela mulher. É que ele era incansável no seu papel de lapidá-la, pois sabia que toda pedra preciosa sempre foi um dia uma pedra bruta. E só os mineradores sortudos é que têm olhos para enxergar seus brilhos especiais.

Máscaras de Carnaval




Carnaval nos 4 cantos de Olinda - Olivia Castro Cranwell

Batucada retumbando. Chão tremendo quase na mesma frequência que os quadris das meninas. O ritmo carnavalesco num compasso rápido, tão rápido quanto os relacionamentos que ali se formavam e se desformavam. Um garrafa de cerveja se desfaz no chão, lançando seus cacos entre os confetes. Vidros que servirão de armadilhas pra aqueles seres dançantes desatentos. Mas ninguém estava preocupado com a possibilidade de se ferir. Ou em ferir os outros. Estavam todos feridos por dentro já. Vinham todos de um ano de trabalho árduo. De impostos roubados dos seus bolsos. De amores que não sobreviviam até o próximo carnaval. De insegurança pública que mata. E outras tantas feridas particulares. Eram soldados sobreviventes, diante de uma semana de folga das batalhas. Diante das ilusões, máscaras e fantasias do carnaval.

A escritora

Evilanne Brandão de Morais. Tecnologia do Blogger.