Archive for Junho 2015

Papo depois de um vinho



Familiar Notes - Milt Kobayashi

Hoje eu te amo menos. Não significa que eu não te queira mais. Não significa que eu esteja amando mais outro alguém. Não significa que eu ainda não te ame. Te amo. Só que menos que ontem. Talvez mais ou talvez menos que amanhã. E deixo logo claro isso: sou assim mesmo, volúvel. Mas calma, não se preocupe, que nunca chego a volumes negativos daquilo sinto. Ou seja, meu amor por você não vai acabar. Apenas irá variar, como um rio intermitente. Ora pode ser corrente forte de água... Ora pode ser poças de água entre as pedras. Mas nunca esse rio muda de lugar. Faça seca ou ocorra dilúvios, é sobre esse leito que esse rio há de correr. E és tu essa terra estável. Estabilidade essa que faz eu me apaixonar por ti... Pensando bem, te amo mais agora! Vem aqui, vamos acabar com esse papo...

Injustificados


Operários - Tarsila do Amaral

Ela era mais uma na multidão e observava. Não eram mais jovens. Aceitando isso, uns vão desistindo. Retornam as suas origens ou adotam uma residência, um trabalho, contas a pagar, filhos para criar. Abandonam seus passados de juventude selvagem. Juventude fugitiva. Abandono doloroso, mas necessário. Já não são mais jovens, afinal. E é a juventude que justifica a loucura que é fugir da reta, buscar fazer aquilo que se realmente ama ou buscar não fazer nada, simplesmente. A juventude, esse estado temporal que permite a todos se permitir. Mas que finda. E sem essa justificativa, ou rumam suas vidas para a reta ou passam a viver como incompreendidos, inconsequentes, incompetentes, irresponsáveis – coisas que já eram quando jovens, só que agora sem a tal justificativa: a juventude. E ela era uma dentre esses tantos injustificados.

Evilanne Brandão de Morais. Tecnologia do Blogger.