Archive for Dezembro 2015

Café e suspiros


Coffee cup heart reflection - Nina Robinson

Primeiro, me apaixonei pelo aroma do café que ela fazia todas as manhãs. Era um cheiro que adentrava meu apartamento com a mesma intensidade que sua imagem adentrava minha alma todas as vezes que eu a via. Era linda. Morena da cor de café. Um jeito fluido e decidido de ser. Um dia, não resisti. Bati na porta do apartamento vizinho, onde ela morava. Fui com toda cara de pau que tinha, me ofereci para tomar o café. Ela não hesitou - que mulher! - e deixou-me entrar. Enquanto ela servia uma farta xícara de café, eu ofereci suspiros - os doces, claro, para iniciar. Experimentei o café... Amargo! Tão amargo quanto a história de vida que aquela negra começou a me contar. Enquanto eu só tinha a contar uma doce história de vida. E você pensa que eu achei ruim? Não achei, só me encantei. Cada vez que o amargor se tornava insuportável, eu jogava para dentro da boca um suspiro e o açúcar era como tomar um fôlego. E senti que os suspiros eram o mesmo para ela. Acredito que era bem isso que ela precisava. E eu também. Um equilíbrio que jamais imaginaríamos viver. Entre o amargo e o doce, um café e um suspiro, uma paixão.


E se?

 

Sorrowing Old Man (At Eternity's gate) - Vincent van Gogh

Se você pudesse escolher qual batalha travar, qual escolheria? Se pudesse escolher quanto tempo atrás retornar, quanto tempo voltaria? E se pudesse escolher alguém para ressuscitar, quem seria? Quantos passos para trás daria? Quais palavras calaria? Quantas horas pausaria? Quais decisões mudaria? Quais dessas perguntas responderia? Quais? Quantas? Quem? Por quê?... E se não houvesse interrogações, seria menos complexo viver? Naquele instante, o velho resolveu responder essa última pergunta que surgia em sua mente. Apenas fechou os olhos e imaginou seus primeiros dias de vida, em que a arte de interrogar ainda não era conhecida. Ah!... Por aquele breve instante, suspirou aliviado ao sentir o quão fácil, natural e simples era viver! Porém esse instante findou-se logo em seguida: "Mas será se era assim mesmo a vida? Ou só na minha imaginação é que assim seria?".

Evilanne Brandão de Morais. Tecnologia do Blogger.