Ele tocou na mão dela. Envolveu os dedos ao redor dos dedos magros. Deslizou o polegar na palma da mão. Aquilo fez ela sentir uma corrente elétrica incomum percorrer seu corpo. Já ele, se arrepiou. Sem falar sequer uma palavra, apenas envolvidos no silêncio daquele instante de reencontro, se questionaram se realmente não existia alguma ligação de outras vidas. Ou uma relação de outros mundos. Ou de passados mal resolvidos. Será se existia? Não sabiam. Apenas sentiam existir aquela tamanha sintonia. Tamanho desejo. Algo que, não importava o tempo que passasse, ao se reencontrarem, sentiam do mesmo jeito. Na mesma intensidade. Não importava com quantos outros relacionamentos se envolvessem, bastava um aperto de mãos, naqueles encontros casuais, e eles já se envolviam de novo. Um no outro. Ali calados, a sentir apenas o tocar das mãos. Até essas mãos se distanciarem e cada um fingir seguir em frente sem o outro. Porque, por mais espiritual, telepática ou de outro mundo que fosse aquela sintonia, eles não estavam mais juntos. E seus caminhos estavam traçados em sentidos distintos. Porém, caminhos que guardavam diversos reencontros, só para lembrá-los que existia no mundo alguém com quem partilhavam aquela surreal sintonia.
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Enveloped between a pleated thought - Tran Nguyen
Não, ela
não era perfeita. Sim, de fato, isso ninguém é. Mas no caso dela, ela era cheia
de imperfeições. Dessas imperfeições que fazem uma pessoa ser mal falada.
Porém, ele via nela um brilho especial. Algo que não via em outra mulher. Algo
que só ele conseguia enxergar. E, por isso, acabou se envolvendo com ela. Passou
por muito baixos. Mas, foi valorizando cada momento alto, que transmitia boas
influências para ela. Por muitas vezes, a salvou das confusões em que ela se
metia. E, assim, foi construindo uma vida juntos, vida essa que ela nunca
imaginou ter. Então, o brilho foi intensificando. Mas isso não foi da noite
para o dia. Foram anos, ele a lapidar aquela mulher. É que ele era incansável
no seu papel de lapidá-la, pois sabia que toda pedra preciosa sempre foi um dia
uma pedra bruta. E só os mineradores sortudos é que têm olhos para enxergar
seus brilhos especiais.
Lovers - Jarek Puczel
Cavalheirismo é sedutor. Pelo menos era o que ela passou a acreditar que fosse. Pois não havia um dia em que ela não o desejasse. Cada encontro, ele abria uma porta aqui, dava espaço para ela passar, oferecia um sorriso, um copo de água, um boa tarde, uma ajuda para fazer algo... E por aí seguia todos aqueles atos cavalheiresco de um homem que passava longe de ser fisicamente encantador, mas que, não sabia bem porquê, a deixava sem ar. Tão educado. Tão simpático. Tão natural. Ele não parecia um príncipe - faltavam aqueles olhos claros, traços simétricos, músculos dos astros de Hollywood. Mas ele agia como um príncipe. E mais importante do que isso: a fazia se sentir uma princesa. Por isso, ela o desejava. E depois de uma série de frustrados romances com aparentes príncipes, ela aprendeu que mais importante do que parecer, era agir e fazer sentir. Então, ela estava determinada: deixou-se seduzir. Deixou acontecer.
Awaiting Return - Kenton Nelson
Em que momento foi que nos deixamos para trás? Desde quando
a indiferença tomou conta de nós? Não guardo mais certeza sobre o amor que um
dia sentimos um pelo outro. E também não sinto mais aquele rancor que nos
motivou chegar até aqui. Sinto que já não há nem uma coisa nem outra. Não há
mais dívidas, tampouco dúvidas, que sustentem nosso estar juntos. O que fazer,
então? Onde vamos parar? Ah, agora vejo bem... Não vamos mais a lugar algum.
Vamos, não mais. Eu vou. Tu vais. E seguimos conjugando os verbos na primeira
pessoa do singular, já que o plural não nos agrada, nem desagrada mais. O plural não
se encaixa em nós. Nós? Já não há. Eu sigo. Tu segues. No singular.
Pierre Auguste Renoir, Woman Reading
Evilanne Brandão de Morais. Tecnologia do Blogger.




