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Injustificados


Operários - Tarsila do Amaral

Ela era mais uma na multidão e observava. Não eram mais jovens. Aceitando isso, uns vão desistindo. Retornam as suas origens ou adotam uma residência, um trabalho, contas a pagar, filhos para criar. Abandonam seus passados de juventude selvagem. Juventude fugitiva. Abandono doloroso, mas necessário. Já não são mais jovens, afinal. E é a juventude que justifica a loucura que é fugir da reta, buscar fazer aquilo que se realmente ama ou buscar não fazer nada, simplesmente. A juventude, esse estado temporal que permite a todos se permitir. Mas que finda. E sem essa justificativa, ou rumam suas vidas para a reta ou passam a viver como incompreendidos, inconsequentes, incompetentes, irresponsáveis – coisas que já eram quando jovens, só que agora sem a tal justificativa: a juventude. E ela era uma dentre esses tantos injustificados.

Curtidas


Still Moment in Teal - Jeremy Mann

A neta nunca foi muito simpática com a avó, mas, alguns segundos atrás, a jovem pediu para tirar uma foto com ela. Toda sorridente, envolvida num abraço meigo. O primeiro abraço que recebera da neta, que se lembrava. Depois do flash, a jovem voltou ao rosto fechado, sentou-se e se curvou sobre o celular. A avó sabia que algum sério problema deveria haver com aquela geração. Tudo deveria ser registrado e posto na tal internet. Não importa se falso ou verdadeiro. O que importava eram as curtidas virtuais. E curtir a realidade? Nada.

A escritora

Evilanne Brandão de Morais. Tecnologia do Blogger.