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Lara, Aldo e o mundo


Gaston La Touché

Lara era tão frágil. Cheia de incertezas, indecisões. O mundo ainda era um grande enigma para seus parcos anos de vida. Era jovem e assumia que não sabia de quase nada. Por isso a timidez diante do mundo. Mas uma coisa sempre teve dentro de si: muita curiosidade.
Tal retrato psicológico de Lara logo encantou bastante Aldo, um homem já tão vivido. Ele se apaixonou pelas fraquezas dela. Sentiu ânsia de a proteger do mundo pelo resto da vida. Logo, empreendeu no desafio de a conquistar para si. E ela se deixou conquistar, mesmo com receio, mas motivada por pura curiosidade. Então, conquistada, passou a ser mulher superprotegida pelo homem. Aldo, antes cheio de boas intenções, passou a nutrir um grave sentimento possessivo. Queria limitar toda e qualquer forma de Lara se fortalecer, se descobrir. Queria substituir a noção de mundo na cabeça dela pela noção de viver completamente voltada para ele. Queria ser o único e exclusivo universo daquela mulher. Mas mal sabia ele que não se apaga o mundo diante dos olhos dos curiosos. E que curiosidade é o primeiro ingrediente para a porção de fortalecimento que toda pessoa precisa para superar seus próprios receios. E esse ingrediente, Lara tinha em boas doses. Logo, tudo era apenas uma questão de tempo. Mais dias, menos dias... Ela iria descobrir o mundo. Iria se descobrir.

Uma consulta


Queen of Diamonsds - Jack Vettriano

Talvez exista certo narcisismo em mim. Mas, convenhamos, Doutor, olhe para mim. Olhe, Doutor! Isso... Olhe... Tem como não desejar perder horas do dia contemplando minha imagem? Não tem, Doutor. Até Freud abandonaria a psicanálise para passar o resto da vida olhando para mim. Isso mesmo, Doutor, deixe esse riso fluir. Eu vi, sim, um riso aí no cantinho da sua boca... Deixe, deixe fluir! O que me traz aqui? Ah, Doutor, venho sugerir que os senhores psicanalistas estudem a mente de um bocado de homens dessa nossa sociedade. Acredito que eles devam ter sérios transtornos mentais. Pois, olhe para mim, Doutor. Isso mesmo, pode voltar a olhar... Por que será que, afinal, esses homens não reconhecem a maravilha que é me admirar? Por que, hein? Só pode ser transtorno mental, Doutor! E dos sérios!

A escritora

Evilanne Brandão de Morais. Tecnologia do Blogger.